Arquivo de setembro \25\UTC 2009

I wonder

As vezes eu fico pensando. Como seres humanos invariavelmente precisamos nos relacionar de alguma forma com os outros. Amizade, apoio, namoro ou qualquer que seja o nível afetivo (ou não). Relacionamentos esses que afetam diretamente a maneira como encaramos e nos comportamos com relação ao que aconteça em nossas vidas.

Hoje tive uma certa discussão com uma pessoa em uma comunidade no Orkut que se originou após afirmar que tenho depressão e essa pessoa insistia em negar a possibilidade com base em alguns conceitos e idéias próprias. Concordo que algumas das coisas que ele disse realmente fazem sentido, mas isso não quer dizer que por isso qualquer pessoa que se encaixe nas situações que ele argumentava não sofra de depressão. Ele argumentava que quem fala tão abertamente sobre isso assumindo que tem depressão na verdade apenas ACHA que sofre da doença.

Bem, eu tenho algo como 10 anos de depressão e já passei da fase de descobrir O QUE eu tenho, assumir que o tenho e mesmo que não peça diretamente por ajuda, falo sobre o assunto como uma forma indireta de pedir essa ajuda. Sim, isso é sinal de timidez.

O que eu tirei disso foi que, como argumentei na discussão, quando se está do lado de fora é mais fácil falar (coisa que outra pessoa havia falado sobre outro assunto em discussão anteriormente). O que acontece com quase todo mundo é que quando se vê uma pessoa triste e deprimida as pessoas costumas deixar ela de lado por não querer coisa com o ou a “baixo astral” (é mais cômodo não se importar mesmo) e taxar a pessoa com qualquer coisa que desmereça qualquer coisa que ela esteja passando. Falta-se tato e sobra-se arrogância pra julgar as pessoas. Humildade pra entender que os outros sentem as coisas pra que.

No início eu fiquei irritado por alguém que nem me conhece ficar levantando hipóteses sobre como administro minha vida (ou não). Eu que sei os danos que as coisas que me aconteceram me causaram. Nunca consegui descobrir nesses mais de 10 anos de depressão o que me levou a ficar dessa forma, mas poderia citar cada simples acontecimento que “contribuiu” para agravar minha situação, acontecimentos que não foram poucos e que, aliás, fecharam com chave de ouro com a perde da única pessoa com quem consegui me envolver afetivamente depois de uma decepção. O que pra maioria das pessoas pode ser algo que leve alguns dias, talvez meses, aumenta exponencialmente de gravidade quando a pessoa já tem problemas emocionais. Meu último relacionamento deixou marcas profundas como perda de confiança nas pessoas e um aumento na minha timidez que “evoluiu” pra uma fobia social.

Claro, isso tudo não conta e não passa de uma “cômoda crise existencial” nas palavras da pessoa inicialmente citada nesse texto. Qual o problema que eu tenha traumas por problemas e coisas ruins que tenham acontecido na minha vida? Eu falo sobre eles “com prazer” então eu não tenho depressão. E daí que constantemente a angústia me faz querer enfiar uma bala no meio da testa? Eu falo sobre eles “com prazer” então eu não tenho depressão. E daí que hora ou outra algum sintoma psicossomático aparece como se fosse uma doença sem causa sem que eu tenha nenhum descuido em especial que me faria sofrer desse tipo de coisa? Eu falo sobre eles “com prazer” então eu não tenho depressão.

As vezes me da uma crise de pessimismo e eu acho que ta todo mundo pouco se lixando pra mim e me ignorando de qualquer jeito. Quando acontece alguma coisa e eu comento sobre isso, sempre que vejo respostas dizendo que “eu estou assim porque eu quero” só faz reforçar ainda mais meu pessimismo e faz com que eu sinta mais desgosto por ter que viver rodeado por pessoas que não se importam comigo.

É demais querer que alguém estenda a mão e mostre que ainda existem pessoas que se importam e estão dispostas a ajudar alguém que precisa de um ombro amigo?

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